Humor, novidades e besteiras do cotidiano

domingo, 7 de agosto de 2011

Projetos

Faz tempo que não escrevo nenhuma matéria, não?
Ultimamente tenho apenas repostado coisas que acho por aí...

Então vamos falar sobre... Projetos!



Eu trabalho com computação e, pra quem não sabe, 99,99% dos trabalhos com computação podem ser considerados projetos pois são temporários, progressivos e produzem um resultado único.

Eis a minha percepção do universo que engloba minha profissão:
Não é dada a devida atenção aos modelos existentes de criação e manutenção de projetos. Todo mundo acha que sabe fazer, que é fácil de fazer e basta fazer um cronograma e tá tudo certo.
Ledo engano! Um projeto caracteriza-se por 5 simples fases de complexa realização. São elas: inicialização, planejamento, execução, controle e finalização.

Por que é importante falar sobre isso? Porque o que vêm acontecendo rotineiramente em desenvolvimentos de projetos de TI é falta de qualidade ou atraso na entrega de um projeto. Reflexo esse, de um projeto malfeito.



Ok, tem solução? Bem, sim... Mas não dá pra ensinar uma matéria de curso de MBA, que tem 300 horas de aula, em um simples post de blog ainda mais quando o blogueiro sou eu, um simples analista que só entende o conceito de projeto, mas que não tem a experiência pra dar aula.

"Ah Fabio, então do que você tá reclamando se você mesmo nem sabe isso?"

Simples! Eu não tenho obrigação de saber algo dessa área, já que meu expertise é outro. Em um grupo de cinema, é obrigação do ator saber tudo sobre figurinação, foto e som? Não! Cada participante tem sua responsabilidade e é responsabilidade da empresa garantir que haja alguém responsável por gestão de projetos cuidando dos... Adivinha? PROJETOS!



E o que as empresas têm feito, é criar uma área PMO (project management office) e pronto! Só que não tem nada pronto!

Primeiro: raramente os analistas participam das reuniões de definição de escopo dos projetos, o que faz com que a empresa se comprometa em fazer coisas impossíveis ou inviáveis no tempo definido. Ex: imagine a Anatel fechar um contrato em que ela se responsabilize por trazer internet rápida de 5 MegaBytes pro país inteiro até 2014, por no máximo 40 reais/mês. (olha aqui)

Segundo: uma vez definido o escopo e "passado" pros analistas, acaba o acompanhamento do projeto! Ignorando totalmente as fases de planejamento e controle, que deveriam acompanhar a parte de execução. Daí o resultado é: surge uma dúvida em relação a uma parte da lógica do negócio e não tem ninguém pra esclarecer o que é pra ser feito. O projeto é feito errado ou atrasa e a culpa passa a ser do analista! Ex: imagina se o diretor de um filme, participasse do coaching de atores, desenhasse o storyboard mas sumisse na hora de gravar o filme e culpar os atores por não ficar do jeito que ele tinha imaginado!

Terceiro: revisar a data de entrega se o escopo inicial for alterado é obrigatório! Acontece muito de no meio de um desenvolvimento, a definição do que deve ser entregue mudar mas a data de entrega não, como se estivesse prevista essa mudança. Não!!!

Quarto: Criar uma sólida matriz de responsabilidades pra definir quem cuida do que. Quando você faz isso, garante que todo cachorro tem seu osso e que dois cachorros não compartilham o mesmo osso.

Tem mais itens, mas acho que no dia em que esses 4 forem apropriadamente resolvidos, a qualidade vai subir muito e os atrasos serão reduzidos sensivelmente.

Enfim, por hoje é só, amanhã tem coisa legal de novo...

Um comentário:

Gui Ricci disse...

Uau... quantos exemplos de cinema... dois na verdade... mas faz você pensar.